No passado dia 30 de setembro de 2021, os alunos do 49.º Curso de Formação de Sargentos, da Arma de Transmissões, participaram numa visita de estudo, ao Museu das Comunicações, acompanhados pela professora Lisete Escórcio, no âmbito da disciplina Tecnologias de Redes de Comunicação.

Os alunos visitaram a reconstituição de uma estação de muda da Mala-Posta e o espaço designado por Vencer a Distância que inclui o percurso pela história dos Correios e das Telecomunicações.

Esta visita de estudo teve os seguintes objetivos:

  • Conhecer a evolução e o aperfeiçoamento das técnicas que permitiram ao homem uma comunicação cada vez mais rápida e eficiente;
  • Conhecer os serviços dos correios e outros meios associados à expedição da documentação;
  • Conhecer as peças que contam a história das telecomunicações, nas áreas de redes e infraestruturas, sistemas de informação, internet, mobilidade e média;
  • Estimular a criatividade dos formados para o debate sobre o tema;
  • Consolidar conhecimentos teóricos sobre a comunicação e confrontá-los com a prática e com os meios usados em sociedade.

O Selo Postal não é mais do que um pagamento antecipado de um serviço que os correios vão prestar aos cidadãos e contribui para a utilização em massa desses serviços. O telefone surge em 1876. O americano Alexander Bell marca o início da revolução das comunicações, pois criou o telefone, o que foi um passo gigante nesta área, muito ambicionado pelo povo.

Esta visita foi ainda enriquecida com núcleos dedicados à Navegação Aérea, à Rádio, à Televisão e à Telegrafia.

Refira-se, que foi observado, pela primeira vez, o telefone de Mesa de Bramão, inventado em 1879 pelo militar Cristiano Augusto Bramão.

De acordo com Guilhermino Barros in “Memória Histórica da Telegrafia Eléctrica” com notas de Godofredo Ferreira, Cristiano Augusto Bramão, aos quinze anos, alistou-se como voluntário no Regimento de Artilharia. Quatro anos mais tarde pede transferência para o Corpo Telegráfico. Em 1864, o Corpo Telegráfico foi desmilitarizado e, no novo organismo, foi-lhe atribuída a categoria de telegrafista. Durante o período compreendido entre 20 de dezembro de 1864 e 3 de agosto de 1869, chefiou as estações telegráficas de Setúbal, Coimbra, Elvas e Estação Principal de Lisboa.

Em agosto de 1869, o diretor dos Telégrafos, Mousinho de Albuquerque, determina que este telegrafista seja transferido para a Repartição Técnica e do Material «a fim de ser empregado nas experiências e mais serviço telegráfico»

Em 1872, uma informação do diretor dos Telégrafos, Valentim do Rego, dá-nos conta do trabalho que lhe estava confiado naquela Repartição «Este empregado procede a todas as experiências sobre eletricidade que se julgam necessárias para a conveniência e regularidade do serviço; ao exame e classificação de todos os aparelhos telegráficos; assiste aos exames dos telegrafistas; fiscaliza também os trabalhos da limpeza e reparação dos aparelhos telegráficos executados no Gabinete; faz as experiências necessárias para a aquisição de algum material telegráfico».

É durante este período que Bramão desenvolve os seus inventos, quer no campo da telegrafia quer no da telefonia.

Em 1878, alguns dos seus inventos foram apresentados na Exposição Mundial de Paris, onde constavam os seguintes aparelhos:

1) Três aparelhos telegráficos «Bramão» de tipos diferentes – o primitivo, de 1872, o modificado em 1873 e o definitivo, de 1874

2) Dois galvanómetros, um denominado Galvanómetro Universal «Bramão», e outro, Galvanómetro Universal Diferencial «Bramão»

3) Uma mesa telegráfica de duas direções de comunicações metálicas, construída por Herrmann

O êxito obtido por estes aparelhos poderá ser avaliado pelo facto de ter sido atribuído à Direcção-Geral dos Telégrafos portugueses um Diploma de Honra tal como aconteceu com outros grandes nomes igualmente presentes – Baudot, Bell, Edison, Gray e Meyer.

Infelizmente, o nome de Bramão não se tornou internacionalmente conhecido por os seus aparelhos não terem sidos expostos em seu nome, ao que se supõe por falta de recursos.

Em 24 de Novembro de 1877, foi um dos pioneiros do telefone em Portugal, conduzindo as primeiras experiências com aparelhos do sistema Bell, entre Carcavelos e a estação do Cabo, em Lisboa.

Desde então, o seu interesse por este novo processo de comunicação, por meio de eletricidade, não deixou de aumentar, sendo prova deste facto a invenção de vários equipamentos, tais como:

a) Transmissor Morse de dupla corrente (1872?)

b) Telégrafo Morse de dupla corrente (1874)

c) Galvanómetro Universal Bramão (anterior a 1878)

d) Galvanómetro Universal Diferencial Bramão (anterior a 1878)

e) Transmissor Morse duplex. Sistema Bramão (posterior a 1879)

f) Telefone de mesa Bramão (1878?)

g) Telefone de pilhas Bramão (1879)

Muito seria de esperar da competência de Cristiano Augusto Bramão, mas infelizmente, a morte aos 41 anos, não permitiu que continuasse a obra encetada.

A visita decorreu ainda à exposição de Cabos Submarinos.

Através de um percurso expositivo renovado e de novas soluções digitais interativas, foi possível conhecer as técnicas de instalação, exploração e manutenção dos cabos submarinos, desde o carregamento do cabo no navio ao lançamento e deposição no fundo do mar, à amarração e reparação de um cabo submarino, bem como a partilha de utilização do fundo do mar e prevenção de cortes.

Em suma, foi uma visita enriquecedora e uma ótima forma de concluir a disciplina de Tecnologias de Redes de Comunicação. Esta visita foi deveras interessante, e muito bem-recebida pelos alunos. Identificámos equipamentos, compreendemos procedimentos e analisámos material disponível para observação. A importância desta visita foi justificada com o fascínio e curiosidade que os alunos demonstraram durante a visita de estudo e no decorrer das aulas e sobre a necessidade de conhecer melhor a evolução das telecomunicações em Portugal.

Fonte: CTT/TLP, Museu dos, «Bramão e outros inventores portugueses no Museu dos CTT/TLP-exposição comemorativa do 1º Centenário do Telefone Bramão 1879-1979», p.6 a 9, 1979