No passado dia 17 de maio as turmas do 12.º ano foram ao teatro assistir à representação da peça 1936, O ano da morte de Ricardo Reis, pela companhia A Barraca.

Nesta obra Saramago continua o projeto de Pessoa concebendo um percurso de vida ao heterónimo que lhe sobreviveu, Ricardo Reis.
Assim, encontramos algumas figuras de papel que saltaram da obra de Pessoa para as ruas de Lisboa à procura do seu próprio destino, na tentativa de desvendar o seu próprio labirinto. Umas de perfil semelhante ao do criador, outras totalmente alteradas. Lídia, por exemplo, deixa de ser a musa inspiradora para ser a criada de hotel, representante dum povo oprimido e amante do senhor doutor. E nesta Lisboa somos confrontados com a opressão dum regime salazarista que acusa e persegue qualquer dissidente ou candidato a sê-lo.
Encontramos, ainda, Fernando Pessoa, o criador de heterónimos e aprendiz de epopeias (como a de Camões, de quem tem ciúmes) com quem Reis frequentemente dialoga e reflete. Este defunto aparece e desaparece consoante a vontade e circunstância, deixando-se ver apenas por quem quer, no caso, Ricardo Reis.
A adaptação da obra ao teatro foi feita de forma magistral, omitindo momentos que tornariam a peça bastante extensa e menos atrativa para um público jovem e ávido de ação, recriando a figura de Pessoa, que na peça é livre, divertido, ingénuo, infantil, mas arguto e crítico. O que resulta numa representação entrecruzada de momentos bastante hilariantes que tornam muito mais acessível a interpretação da mesma.
Em suma, uma peça a não perder!