Os Pupilos do Exército, casa onde a necessidade para aprimorar, desenvolver e cultivar a excelência nasce com a entrada de cada novo aluno, nunca viveu, nem viverá para cultivar suficientes e muito menos fundear nas suas paredes uma homenagem a quem não tenha vivido e conduzido a sua existência pelos ditames da excelência e do exemplo, precisamente para que todos os que um dia se recordem desta homenagem entendam que nesta casa o suficiente não é nem nunca será suficiente.”

“Excelentíssimo Sr. Almirante Nunes da Cruz, por todo o seu contributo e ímpar caminho enquanto antigo aluno, brilhante Oficial da Marinha e acima de tudo, como Homem, permita-nos esta singela mas sentida homenagem, fonte de inspiração a todos aqueles que nesta casa anseiam em ser alguém maior pela dedicação e trabalho.

Pelo seu inestimável exemplo, extraordinária vida e elevadíssima competência, reconhecida desde os tempos de aluno dos Pupilos do Exército e confirmada na Escola Naval com a atribuição de prémios apenas ao alcance do melhor aluno, nomeadamente os:

Marinha do Brasil;

Comandante Silva Júnior;

Bartolomeu Dias e;

Comandante Oliveira e Carmo,

pela sua dedicação impar ao Instituto dos Pupilos do Exército,  constituindo-se como modelo de “Cidadão útil à Pátria”, ficará o seu nome perpetuado na designação deste local, como referência para as gerações futuras, passando a designar-se: “Jardim CALM Nunes da Cruz, Ex-aluno 170/55.”

 

Discurso do Almirante Nunes da Cruz:

Sr. Coronel João Miranda Soares, Ilustre Director do Instituto dos Pupilos do Exército

Militares e Professores do Instituto

Meus caros Amigos, antigos e actuais alunos

Senhoras e senhores convidados

Minha mulher

É com alguma emoção que vou proferir umas breves palavras, sabidamente simples e despretensiosas, em sintonia com quem as profere.

Senhor Director:

Antes de mais, quero manifestar-lhe o meu profundo agradecimento pela associação do meu nome a esta pequena parcela ajardinada do Instituto com que me quis distinguir e que muito me honra.

Devo confessar-lhe no entanto, sr. Director, que tenho alguma dificuldade em imaginar qual o critério utilizado para esta distinção. E não quero cometer a indelicadeza de lho perguntar.

Porém, sem pretender ser adivinho, quero crer que não andarei longe de nele terem pesado três factores, dos quais serei denominador comum, embora certamente não o máximo. São eles, independentemente da ordem:

  • Em primeiro lugar terá querido V. Exª vincar a amarra que liga o nosso Instituto à Marinha de Guerra Portuguesa, onde fiz a minha vida profissional e onde tive a grata satisfação de ter sido o 1º Presidente do Núcleo dos Pilões Navais, simbolizada pela âncora bem unhada existente neste jardim. Na verdade, a Marinha foi através dos tempos e continua a ser um dos destinos profissionais de muitos dos Pilões formados nesta “casa tão bela e tão ridente”. E desses, a grande maioria, para não dizer todos, têm procurado por lá honrar o nome do Instituto, ao imporem-se pelo seu exemplo, profissionalismo e prática dos valores que aqui beberam desde tenra idade.
  • Em segundo lugar terá querido também V. Exª manifestar mais uma vez o seu apreço e consideração pela APE, instituição a que eu tenho dado o meu modesto contributo como membro dos actuais corpos gerentes.
  • Finalmente, terá sido também intenção de V. Exª homenagear a minha geração Pilónica. Efectivamente, foi esta uma geração ao mesmo tempo sacrificada e privilegiada pelos ventos da história do nosso país durante a sua vida profissional activa.
  • Sacrificada, pelas consequências da enorme transformação sofrida na sociedade portuguesa ao longo desse período ao nível social e familiar.
  • Privilegiada, por ter sido autora e espectadora dessa mesma transformação, oportunidade única numa vida.

Refiro-me aos dois acontecimentos, porventura os mais marcantes da segunda metade do século XX na sociedade portuguesa, que estiveram sua na base:

  • a eclosão da guerra no Ultramar, em 1961 e
  • a revolução dos cravos, a 25 ABR 74,

com as profundas consequências políticas, sociais e económicas produzidas e consequentes clivagens que nem sempre foram fáceis de harmonizar ou superar.

Neste pequeno exercício de adivinhação, terei acertado ou não? E se sim, muito ou pouco? V. Exª o saberá.

Mais uma vez, pela honra que me concede, o meu muito obrigado Sr. Cor. Miranda Soares.

Meus amigos

Também para vós o meu muito obrigado pela vossa presença, que abrilhanta e valoriza de sobremaneira este acto.

Na placa comemorativa do 60º aniversário da entrada para o Instituto da fornada de 55, a minha, colocada como é de tradição nos nossos claustros, figura a seguinte inscrição, que aqui recordo:

O Passado não é o que passa, é o que vai ficando.

60 anos! Valeu a pena.

Obrigado IPE

Sim, porque todo o turbilhão de recordações que neste momento emerge da bruma da minha memória, há muito coberto pela poeira dos tempos, desde as do primeiro dia em que aqui entrei, por este mesmo lado e pisando este mesmo chão, da primeira noite em que aqui dormi, das primeiras aulas que tive, dos primeiros amigos que fiz, até ao dia em que saí, não se perderam. Acompanharam-me durante a vida, estão comigo, vivas, e porque foram ficando estão presentes, confirmando que

“O passado não é o que passa, é o que vai ficando”

É bem verdade!

As boas recordações, e principalmente essas, acompanham-me, e emergem com um sentimento de muita saudade como se esses acontecimentos de mais de 6 décadas tivessem ocorrido ontem, sempre que enquadradas por este ambiente ímpar que é e sempre será para nós o do nosso Instituto.

Refiro também os valores que aqui nos foram inculcados, a amizade, a solidariedade, a camaradagem, a frontalidade, a verdade, o trabalho, a honestidade, o espírito de bem servir, que na complexa fase da adolescência, transição da vida infantil para a adulta, nos formataram para o resto das nossas vidas. Orgulho-me de que assim tenha sido. Aqui está a razão de ser daqueles

60 anos! Valeu a pena

Sim, valeu a pena. E há-de continuar a valer. A prova é que estamos aqui reunidos, pessoas oriundas de várias gerações, rejuvenescido eu em pensamento seis décadas, o tempo de uma vida, respirando o sempre mágico e muito nosso ambiente Pilónico.

Actuais alunos

Seja-me permitido, para vós, umas últimas palavras.

Enquanto aqui andarem, conforme diz o hino do nosso Instituto, estudem, trabalhem, “com alma e com prazer”. Tudo o que aqui investirem ser-vos-á devolvido pela vida fora sob a forma de dividendos. Saibam o “Instituto enobrecer”, agora como estudantes, depois como profissionais, como cidadãos, como Homens e como Mulheres. Porque, acreditem, “Querer é Poder”.

Desejo-vos que daqui a outras 6 décadas muitos de vós aqui possam estar, em uma outra qualquer cerimónia idêntica a esta, com o mesmo espírito, com a mesma camaradagem, com a mesma amizade, com o mesmo sentimento do dever cumprido. É sinal de que o IPE continua vivo e que continuou a valer a pena.

Por tudo o que esta Casa nos deu e que nos continua a dar, o meu

Obrigado IPE “