No topo das variáveis que influenciarão o nível do nosso ensino está a qualidade dos agentes envolvidos no acto educativo. Longe vão os tempos em que a selecção dos 75 alunos que constituíam 3 turmas do 5.º ano se realizava de entre um universo de mais de 300 candidatos. Isso fundamenta razões para dinamizar a imagem do IMPE devolvendo à sociedade as motivações que sustentavam tão significativa procura.
A contratação e a integração dos novos professores que quase todos os anos chegam ao Instituto requerem a maior atenção. Os professores estão hoje fragilizados pela adopção de medidas socioprofissionais controversas, sequela do rumo delineado pelas políticas que tutelam o ensino no país e, enquanto esperam a sua redefinição, não escondem sinais preocupantes de insegurança e desgaste.
O Instituto possui um acervo de meios, capaz de contrariar tal tendência. O acompanhamento dos professores após a contratação, deverá ser orientado no sentido de descodificar as especificidades desta Escola e de clarificar o seu ideário, de modo a promover o desenvolvimento das suas potencialidades.

Importa, também, não perder de vista imperativos de interacção do processo educativo, para que designadamente e em tempo oportuno, usufruam dos naturais direitos e das condições de evolução na carreira que a lei geral consagra aos seus congéneres das escolas do Ministério da Educação.
É chegada a altura de introduzir a 3.ª geração, na altura em que o meu filho atinge a idade de acesso ao 2º Ciclo de Estudos.
“Vai para os Pupilos”, ouvia-se entre familiares e amigos. O concurso aconteceu em 1987 e, os dias seguintes que antecederam os resultados, foram de ansiedade e expectativa.
No dia em que lhe disse:” – Apressa-te, porque tens que fardar-te para te apresentares”, os gestos do seu entusiasmo e desnorte revelaram que esse terá sido um dos seus dias mais felizes que certamente permanece como uma marca indelével e especial.
Teve uma integração positiva, fácil adaptação e a conquista da primeira medalha por Aplicação Literária, logo nos primeiros anos, despertou-lhe o gosto pelo sucesso escolar e tornou normal o ciclo de prémios de carácter literário, militar e físico e específicos do âmbito de disciplinas técnicas, até à conclusão do Curso.
Corolário das profecias do avô, a respeito das virtudes desta Escola, fez parte da Classe Especial de Ginástica, deambulou na prática de várias modalidades desportivas e, no ano em que foi finalista do Curso Superior de Engenharia Mecânica, foi nomeado, por escolha, Comandante do Batalhão de Alunos do Instituto Militar dos Pupilos do Exército.

Pôde, quis e conquistou o que havia a conquistar, os maiores êxitos que qualquer Pilão almeja e uma sólida formação para a cidadania. Gratifica-me dizer que soube traduzir da melhor maneira a expressão acumulada dos princípios e valores herdados e adquiridos e, após obter a Licenciatura em Engenharia Mecânica, no Instituto Superior Técnico, segue hoje uma simpática carreira profissional nessa área, a par do convívio que cultiva com os pilões da sua geração, em encontros ocasionais de confraternização que reavivam e prolongam a sua intensa ligação ao Instituto.
A partir da fase final do seu percurso como aluno, testemunhei aquele que considero ter sido o período mais sombrio dos 34 anos vividos nesta Casa. A notória escassez de candidatos provocou a progressiva redução do efectivo e culminou na constituição de turmas, com apenas 5 alunos.
Não tardou que um despacho determinasse a suspensão da admissão de alunos ao 5.º ano de escolaridade. Mas a situação agravou-se a partir de 2005/2006. Suspendiam-se também as admissões ao 1.º ano dos Cursos Superiores.
Esvaziava-se concomitantemente a essência e a alimentação dos restantes cursos pairando a sombra do iminente colapso de uma Instituição, até então, ímpar no País, cuja oferta englobava 3 níveis de ensino: Básico, Secundário e Superior.
Este não deveria ter sido o nosso fado. O IMPE, que sempre acolheu as novas situações que lhe têm sido impostas, merecia ser acarinhado e contemplado numa perspectiva de repositório de matérias-primas que ao longo das gerações tem sabido lapidar e devolver às Forças Armadas, a agentes económicos e à sociedade em geral, sob a forma de pedras preciosas…

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