Depois de sair do Instituto e cumprido o Serviço Militar perspectivava-se a vida profissional, mas o “25 de Abril de 1974” acontecia e a incerteza comprometia os anteriores projectos de futuro.

Surpreendente e inesperadamente, um ano depois abria-se-me a oportunidade de regressar à “minha Casa”. Surgiam vagas para professores e recebia o convite para concorrer ao preenchimento de uma delas. O entusiasmo não conseguia separar-se do peso da responsabilidade. Afinal, preparava-me para integrar um corpo docente composto por muitos dos que haviam sido meus mestres, que me haviam marcado pela competência, entrega, e carácter.
O exercício sem sobressaltos das funções que me foram atribuídas devolveu-me segurança, a transição das memórias e a passagem para o novo papel.
As primeiras perplexidades viriam pouco tempo depois. O Instituto era fustigado pelos ventos da revolução iniciada em 1974 e as exacerbadas manifestações de carácter político motivaram momentos intensos de hostilidade e de indisciplina nunca experimentados.

No entanto, ao modo como na época se geriam as diferenças de ideias, em RGE – Reuniões Gerais de Escola, a situação foi sanada, consagrando-se a total independência do IMPE às influências partidárias. Com a bonança veio a concretizar-se, no ano seguinte a mais promissora transformação da história do ITMPE: a conversão dos Cursos Médios em Cursos Superiores, que deu lugar à formação de quadros técnicos, bacharéis, em Contabilidade e Administração, em Eng.ª de Máquinas e em Eng.ª de Electrónica e de Electrotecnia, com a consequente mudança da sigla para IMPE. Em 1976 eram admitidas as primeiras raparigas, as nossas Piloas.
A qualidade do ensino nunca esteve em causa e a preparação dos alunos diplomados ditava a sua imediata captação pelo mercado de trabalho, com carácter de primazia sobre outras ofertas. Numa primeira fase as empresas garantiam um estágio profissional normalmente remunerado e não raras vezes culminava na contratação dos estagiários para integrarem os respectivos quadros. Devolvia-se ao Instituto o prestígio de que era merecedor.

nogueiraPor outro lado, a história mostra como temos reagido às adversidades premonitórias de um futuro incerto, numa dinâmica criativa que nos vem animando a continuar a construção de projectos consistentes, de valor e mérito reconhecidos ao mais alto nível. Refiro-me a 1977, quando se lançaram os alicerces de uma resultante de cariz cultural que viria a exponenciar a visibilidade do IMPE e a protagonizar um outro incontornável ex-líbris, o Grupo Coral e Instrumental, obra dignificante e genuína que temos sabido preservar continuando os padrões de qualidade fundados pelo seu criador o saudoso professor Raul Miranda.
mirandaNessa ordem de sucessão releva o SMOR da Armada, José Nogueira que foi capaz de potenciar as capacidades do grupo, espoliado de alguns dos melhores elementos que, terminados os seus cursos, haviam chegado ao fim da linha.
Depois de um período transitório sob a direcção da outrora Professora de Educação Musical do IMPE, Dr.ª Ana Cláudia, continuamos hoje a acumular orgulho no desempenho deste grupo, cujos créditos assegurados pelo 1SAR Pascoal derivam da competência e sentido de entrega que justamente lhe são reconhecidos.
claudia Explicitar as atribulações vividas pelo IMPE e evidenciar as motivações que tem vindo a encontrar para fortalecer a sua identidade e prosseguir no esforço de perpetuação das suas nobres tradições é também um dos objectivos deste depoimento.
pascoalA aprendizagem acumulada das referências familiares, dos anos de docência e de outras funções cumulativas, foi o meu manual de instruções do IMPE, por intermédio do qual estabeleci um registo de convicções transversais à maior parte dos anos decorridos.

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