Situado no ponto intermédio das três gerações, cabem neste desfilar de memórias, alguns apontamentos a respeito de meus pais baseados em testemunhos que presenciei desde aluno e nas manifestações de consideração, estima e amizade dos representantes de todas as camadas socioprofissionais do IMPE, ao longo das suas carreiras. Desde logo, são os primogénitos e responsáveis maiores pela inclusão das gerações subsequentes no Corpo de Alunos dos Pupilos do Exército.
Ambos subiram “a corda a pulso” e a valorização que conquistaram no exercício das várias funções cometidas consolidou os seus saberes para uma visão abrangente que adquiriram do IMPE. O profissionalismo, o espírito de sacrifício, a solidariedade e a honestidade que aqui aprenderam a praticar são atributos que reverteram em meu favor, ajudando-me na compreensão de valores essenciais. Sublinho as responsabilidades transcendentes que meu pai viu recair sobre os seus ombros, quando da adaptação dos planos de estudos da reforma de 1959 e, em particular, as decorrentes das sucessivas nomeações dos oficiais Secretários Escolares para o cumprimento de comissões de serviço, no período da guerra das ex-colónias.
Fruto da acumulada experiência e da versátil facilidade para dirimir questões complexas, conquistou um especial estatuto expresso no frequente contributo superiormente aceite, em favor das tomadas de decisão.
O exemplo de ambos, que me orgulha e a minha própria vivência fizeram-me entender o IMPE um teatro semelhante ao seio de uma grande família construída de acordo com as etapas de uma caminhada, que começa na aprendizagem das regras, passando, noutra idade mais rebelde, pela sua contestação e, mais tarde, com o crescimento, a consequente maturidade escrutinada pela avaliação dos comportamentos a proporcionar uma espécie de maioridade, a liberdade responsável, a consideração e o respeito da comunidade.
Por fim, o diploma, o cruzar a linha de chegada. Momentos de efectiva conquista, por um lado, mas, por outro, o acreditar que esse seria apenas o começo de uma longa estrada a percorrer. Exercer as nossas especializações, as actividades profissionais, as equipas que iríamos integrar, que nos proporcionariam encontros, desencontros e reencontros. Sentia-se de modo especial a aproximação da hora da saída para uma nova vida e, com ela, uma certa angústia de perceber que viver nos Pupilos era um verbo transitivo que, no quotidiano, parecia querermos admitir definitivo.

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