Visita do Presidente da República – 25 Maio 2011

Transcrição da mensagem escrita no Livro de Honra do Instituto por Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, por ocasião do aniversário do IPE.

Discurso do Presidente da República por ocasião do Centenário do Instituto dos Pupilos do Exército
Lisboa, 25 de Maio de 2011

Comemoramos hoje os 100 anos do Instituto dos Pupilos do Exército, uma longevidade que é fonte de orgulho para todos quantos por aqui passaram. Os elevados padrões de desempenho, mantidos pelos Pupilos do Exército ao longo de tantos anos, são expressão de uma identidade forte, alicerçada em valores que permanecem bem vivos em cada um dos seus alunos, professores e funcionários.

Vocês, caros alunos, são a razão de ser deste Instituto.

Pertencem a uma escola onde o exemplo, o espírito de corpo e o sentido de responsabilidade são traços distintivos que vos acompanham ao longo da vida e que vos facilitam o sucesso fora destas paredes históricas.

“Uma sociedade só pode progredir quando os seus membros possuam uma desenvolvida educação e uma instrução essencialmente prática. (…) É necessário criar homens que pelo seu trabalho e esforço próprios se mantenham na vida com (…) dignidade; é preciso formar cidadãos úteis à Pátria”. Estas frases de plena actualidade foram escritas no preâmbulo do diploma de 25 de Maio de 1911 que, por inspiração do General António Xavier Correia Barreto, vosso fundador, criou o Instituto Profissional dos Pupilos do Exército de Terra e Mar.

Aqui se conjugaram de forma notável, sob o primado de uma cultura muito própria, a formação para a cidadania e o conhecimento que resulta do saber e do saber fazer.

Aqui as vertentes académica, física e comportamental da formação andam em clara sintonia, o que faz dos Pupilos uma instituição de referência para o País e que importa preservar.

De um ponto de vista académico, este Instituto soube reestruturar o seu plano de estudos para acompanhar a evolução dos tempos.

Pela excelência de uma formação completa e ajustada às necessidades do mercado de trabalho, daqui saíram muitos quadros superiores e intermédios para as grandes empresas na área da indústria, do comércio e dos serviços, reconhecidos pela sociedade, tanto pela sua competência como pelo seu carácter.

Coexistem hoje no Instituto diversos cursos, desde o ensino básico até ao ensino secundário, sendo o ensino técnico-profissional a sua imagem de marca, assente numa forte ligação ao sector empresarial, em áreas em que escasseiam técnicos, acompanhando necessidades e realidades actuais como as energias renováveis e a gestão do ambiente.

É de toda a justiça dirigir, nesta ocasião, uma palavra especial aos professores e a todos os que aqui prestam trabalho.

O vosso empenho, a vossa atitude e a vossa dedicação ajudam a fazer desta escola uma escola diferente.

Uma escola em que ensinar é mais do que transmitir a matéria curricular; é também educar, contribuindo para a formação e para o desenvolvimento da personalidade dos jovens, abrindo-lhes horizontes e dando-lhes referências.

Educar é, sem dúvida, uma das formas mais nobres de servir o País.

Fui testemunha desta forma de estar e desta dedicação, quando tive a oportunidade de servir nos Pupilos do Exército como oficial miliciano, há mais de quarenta anos.

A importância conferida à formação física é também apanágio dos Pupilos. O treino físico exigente constituiu desde sempre um traço distintivo e uma das suas imagens mais divulgadas. São ainda lembradas as classes de ginástica e os muitos desportistas que prestigiaram o “Pilão” no País e além-fronteiras e que constituem justo motivo de orgulho para a Instituição.

Devo salientar, ainda, a vertente da formação comportamental, baseada num código de procedimentos e de virtudes que a caracterizam e identificam. Olhando para os símbolos que vos unem, desde o Hino, ao Código de Honra do Aluno e à heráldica que vos é própria, encontramos o fundamento para uma forma de conduta na vida que importa enaltecer: o respeito pelos valores pátrios, o apelo ao estudo e ao trabalho, a assunção de responsabilidades, a obediência consciente, a galhardia e a lealdade que vos acompanharão no futuro.

Encontramos aqui, igualmente, experiências enriquecedoras e marcantes na vida interna e no saudável relacionamento entre os alunos, como é o caso das crescentes responsabilidades atribuídas aos mais velhos na ajuda à plena integração e formação dos que acabam de chegar.

O graduado é um dos garantes do espírito dos Pupilos. É aquele que passa o bom testemunho, que enquadra os alunos e que faz manter a chama acesa. A chama do brio, do respeito pela cultura e pelas tradições do Instituto. Um exemplo a seguir por todos.

Portugal precisa que todos vocês, alunos, se assumam como graduados quando saírem destes muros e enfrentarem a vida e a vossa actividade profissional.

O espírito aqui criado terá importância no vosso futuro. A amizade e o carácter forte não têm preço. Os antigos alunos e a sua Associação têm um papel essencial neste espírito de entreajuda. O vosso apego à escola, que de meninos vos fez homens, está bem patente nas placas que pontuam os seus claustros. O vosso percurso de vida e os vossos êxitos constituirão a melhor publicidade para esta casa.

Aos pais, quero sublinhar que a educação é decisiva para subir a escada da vida. A formação exigente e rigorosa, que é proporcionada, fará destes jovens homens e mulheres de bem, com princípios, valores e referências. É o maior e melhor investimento das vossas vidas. Sei quanto isso custa, sobretudo para aqueles a quem a vida não sorri e a educação dos filhos exige tantos esforços e sacrifícios.

Esta escola, integrada nas Forças Armadas, é fiel depositária de um legado de altos serviços prestados à causa da educação da juventude portuguesa, dos quais tem resultado lustre, honra e prestígio para a Instituição Militar e para o País.

É, assim, de inteira justiça o público reconhecimento que irei prestar nesta cerimónia, ao conceder ao Instituto dos Pupilos do Exército o título de Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique e ao impor o respectivo distintivo no Estandarte Nacional à vossa guarda.

Os símbolos de uma instituição são um farol que a orienta. A vossa divisa “Querer é Poder” interpela-nos a todos.

Quando o “querer” é acompanhado da determinação forte de agir, de lutar pelo futuro com empenho, verdade e coragem moral, então “podemos”.

Podemos ter sucesso, podemos fazer a diferença, podemos ser cidadãos esclarecidos, solidários e honestos. Portugal conta convosco.

Muito obrigado.